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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

V BH Indie Music - Sexta Semana por Edison Elloy

Última semana do festival V BH Indie Music

Quinta-feira dia 13 de outubro de 2011 no V BH Indie Music
Apresentações: Bertola e os Noctívagos (BH), Tapete Red (RJ), Optic Yellow Felt (SP) e Simples (BH).
Local: A Obra


A Obra dia 13/10

Bertola e os Noctívagos (BH) A noite nessa 6ª semana de festival começa com a apresentação de uma das bandas mais representativas da cena atual. Trabalho com a forte presença de Flávio Bertola (voz) à frente, nos é mostrado com toda a força expressiva de seus vocais. Ele interpreta seus textos com total convicção naquilo que canta. Nossos questionamentos emocionais, nossa vida em uma sociedade cada vez mais complexa em sua forma de se relacionar com o meio e o outro. Canções de o “Lodo da Mente”, primeiro trabalho da banda, foram executadas com a competência de sempre por Lucas Nascimento (guitarra), Cabral (bateria) e Sérgio Ribeiro (contrabaixo). Decifrando em seus textos e brindando-nos com doses elevadas de arranjos criativos da guitarra de Lucas Nascimento, com base mais que segura. Bertola fica à vontade para declamar de forma tão pessoal seus versos fortes e bem escritos. Novas canções com a qualidade de sempre. Timbre impecável de guitarra, mais questionamentos e a dança de satisfação e cumplicidade de Bertola com seus asceclas. “Quem tem medo, sai da frente...”

Tapete Red (RJ) Caminhar, decidir, encontrar-se. Daniel Goés (voz/guitarra) canta em uma de suas canções estas palavras, e parece que a banda encontrou em Thiago Lima (baixo) e Arthur Paiva (bateria) a base que faltava. Em canções que versam sobre as relações humanas e seus efeitos sobre os mesmos, Daniel Goés, ilustra a partir de sua banda as cenas que muito bem conhecemos. Canções bem cuidadas, com arranjos construídos de forma a criar a textura sonora ideal. Principalmente para que João Carlos (guitarra) possa desenvolver suas peripécias. Efeitos bem dosados para a voz cantar “outra cor”. “Cem vidas em uma rosa” e a chegada sol. E mais efeitos bem timbrados das guitarras, em dinâmicas envolventes muito bem sustentadas por excelentes e seguras bases de bateria. Preciso e criativo Arthur Paiva, entrega à banda toda sua vontade em compor as cenas narradas. “Refrões de começo a fim”, canta Daniel Goés. Apresenta-nos em sua banda completa as canções q pedem antes de tudo para serem ouvidas, pois merecem.

Optic Yellow Felt (SP) Como explicar aos que não estavam lá, todas as sensações ao assistir e ouvir OYF? Mais ou menos assim. Coloque sobre um palco seis músicos mais que competentes. Dê a eles toda a liberdade para improvisar e apresentar suas experiências a partir do excelente álbum lançado por eles e depois naturalmente, ouça, veja e deleite-se com uma das apresentações mais fortes que o festival propiciou. A banda de SP entregou-nos as mais intensas experiências sonoras nesta noite. Música sem barreiras, atonal quando quiseram. Atmosferas instigantes e intrigantes, não nos pouparam as mentes. Pois os ouvidos da platéia já estavam tomados por todas as freqüências emitidas por Victor Nader (voz/violão), Eduardo Marson (guitarra/voz), Avelino Nader (baixo), Nando Morsani (teclados), Ricardo Pires (Saxofone) e Tiago Barbosa (bateria). Mesclando folk, brit rock e jazz, eles simplesmente subvertem os padrões clássicos para compor e executar suas canções. São na essência músicos livres para improvisar, mas as bases para cantar “Don´t Bend”, “Fine fine”, estão ali, norteando os vocais de Victor Nader, ora João gilbertianos bem baixos, ora psicodélicos e rocker. Massa sonora com caprichos preciosos. Tenham certeza que eles cantam tudo o que nossas mentes percebem e principalmente questionam, mas cantam ao estilo OYF. Mantenhamos ouvidos e olhos atentos, pois eles nos observam. E nós dizemos, obrigado!

Simples (BH) Diogo Pertence (voz/guitarra), Daniel Pertence (bateria) e Lucas Caldonceli (baixo) fecham a grande noite na Obra. Rock´n roll ou pop? Com a qualidade e precisão de músicos em sintonia. Executar canções envolventes por serem assimiláveis naturalmente, é a grande qualidade do trio. São o que desejarem, entregam seus versos e suas canções com habilidade e precisão. Cantar as expectativas, frustrações, as muitas decepções humanas é algo que seria melancólico se não tivesse como base canções tão bem acertadas e ajustadas melodicamente. Cantam isso e mais, cantam o cotidiano pesado de “gauche. Mas e principalmente cantam sim, a esperança. Ao pronunciar versos como “o amor é pra quem não quer se enganar”, apontam o caminho para a saída, para melhores dias em nossas vidas, dos deserdados e dos que virão. Timbres sempre agradáveis, a certeza no formato musical definido e nada de deixar como em “mosaico”, cacos pelo chão. A Simples, junta-os e compõe canções de grande qualidade musical e de textos. Noite encerrada com uma ode às possíveis paixões e amores. Noite de música elevada e qualidade inquestionável. Noite de celebrar a sempre possível e boa música. Ela está ao nosso alcance. É simples.


Sexta-feira dia 14 de outubro de 2011 no V BH Indie Music
Apresentações: Os Anormais (BH), Orquestra Visceral (Niterói-RJ), Bob Cunha (BH), Francesco Napoli (BH) e Luis Curinga (BH).
Local: Matriz

Os Anormais (BH) Anormal? Quando a intensa ação de bombardear nossas mentes com sonoridades, textos e expressões físicas partidas de seres semelhantes a nós poderá ser denominada anormal? O que é a norma? Não é o que Paulo Thomaz (voz/guitarra/violino/outros) e Chico de Paula (voz/guitarra/sonorizações/tubos de pvc) apresentaram essa noite no palco do Matriz. Densidade em textos e sons, em uma performance conceitual e envolvente. Presenciamos a construção de canções a partir da total liberdade para criar e recriar usando suportes vários. “This is my brother”, apropriada canção para os amigos atuantes em áreas diversas da arte juntarem-se e brindar-nos com toda a carga de energias tão bem canalizadas. Pois, se “eu penso”, mesmo quando tudo parece indicar o contrário, eles instigam ainda mais os nossos pensamentos. Ruídos, overdubs, arpejos em sonoridade onírica ao violino. Multiplicidade com o simples, com o menos. Experiências pessoais únicas deles para a platéia e dessa em interação unindo-se ao duo para executar uma de suas canções, convidada que foi. Marimbau, nas mãos de Waldo Lima do Vale, para remeter-nos à dimensões outras. Escolhas! Grande início de uma noite rica e intensa. Viva! Sempre adiante os visionários. Viva a lucidez!

Orquestra Visceral (Niterói-RJ) Uma viagem por onde nos é possível. Talvez um dia apenas seja o ideal para a aventura de perceber-se pleno ou vivo. “Natal”, vamos adornar os suportes que aguardam os presentes. Vamos nos adornar também para receber o esperado. Vamos renascer? O cinco rapazes: Bruno Machado (voz), Hainner Fon (baixo/voz), Asy Pepe (flauta/violino), Davi Hermsdorff (bateria) e Tiago Barros (guitarra/voz) da Orquestra Visceral, convidam-nos. Apropriado o nome da banda, literalmente visceral, mostram para a platéia que as boas influências produzem um trabalho de excelente qualidade, bebem em fontes mais que aprovadas. Canções muito bem formuladas. Sonoridade rocker, quando querem, pois são uma banda de rock, mas elementos outros tais como violino e flauta dão outra cor sonora à sua apresentação nesta noite. Sutilezas desses instrumentos harmonizam-se e entregam à base competente e à guitarra muito bem timbrada e executada. Bruno Machado canta para “vivermos bem” sem receio, pois, ele emitindo em freqüência ajustada sua energia, mostra-nos em voz muito bem colocada e agradável sua satisfação em estar à frente de algo tão honesto e sincero. Performático e interativo. Desfila em canções envolventes sua “carta para quem fica”. E sempre alguém fica; “o dia do descanso” chegará, mas antes dele, vamos celebrar. Vencer. Estamos preparados? Tentarmos viver? Não. Viver! É o que propõe os membros de tal orquestra. Nada de lamentos egoístas agora, agora vamos assistir à orquestra em sons e danças de celebração de vida e mais vida.

Bob Cunha (BH) Melodiosamente mais que agradável, assim vem até nossos ouvidos os primeiros acordes e impressões ao ouvirmos Bob Cunha em seu violão e guitarra. Pop, muito bem cuidado. Os detalhes sutis, Bruno Pfeilsteicker (guitarra) entrega-nos, em riffs e solos na medida certa. Levemente folk, sim. Bob Cunha, não se furta em utilizar em seu trabalho o que o estilo pode oferecer e o faz bem. Quando começam ou terminam as batalhas de nossas vidas? Nunca, é o que podemos deduzir. São batalhas, a guerra é maior. A guerra vinda com a energia e intenção tão elevada em canções honestas e sinceras é a guerra do bem guerrear. É a guerra do viver. Bases seguras e limpas, Marcos Marques (bateria) e o baixo cheio de classe de (Márcio Ronnei) sustentam, para Bob Cunha cantar sobre a certeza de ter a nosso favor, o tempo que cuida de nós, basta termos atenção. “O incrível homem âncora”, canção de seu amigo Marcelo Mercedo, mais que apropriada. Para dizer, não me prenda, sou livre. Eleonor Rigby, revisitada, nos visita, ela não foge de casa nessa canção, mas fugirá em outra, sendo outra Eleonor. “Josefina”, bela e desejada, cuide-se, pois nem todos os olhos voltados para ti, são bons. “Vídeo tape”. Nossos heróis e ídolos em filmes mentais e factuais poderão ser chamados, para socorrer Josefina, ou para deixar-nos um pouco mais seguros e confiantes. O festival recebeu de braços abertos Bob Cunha e sua troupe e ele entregou-nos com gratidão, suas crias mais que diletas. Obrigado, Bob Cunha!

Francesco Napoli (BH) Criativo e ousado, sofisticadamente direto e simples. Vamos nos permitir? Francesco Napoli, tenham certeza entrega-nos tais pistas. Teremos coragem em segui-las? O que sou? Um anti-herói talvez. Talvez não. Com toda a certeza um herói torto ou um humano-herói, limitado e frágil. Música e surpresas. O melhor é preparar-se tão bem tecnicamente para propositalmente desconstruir suas obras, mas desconstruindo recriar-se. Conceitual, mas utilizando elementos vários, samba e alternâncias. Rock? Jazz? Francesco Napoli (voz/guitarra), Phelippe Lobo (guitarra) Judson Ludson (baixo), Raphael Sales (violão/baixo) e Glayson RC (bateria), executam canções sem padronizações, sem rótulos, talvez as anti-canções necessárias para percebermos todas as outras canções. Pois nossa cabeça animal, precisa de cabeças pensantes como as de Francesco Napoli. Exímio guitarrista, cantor seguro de sua voz, canta entregando-nos sua hermética intenção em transformar. Um simples convite para tomar um sorvete pode ser uma ode às relações. Que desmancham e derretem se não cuidarmos. Samba mal humorado pra dizer “eu não me importo com voce”. Ledo engano, pois alguém jamais usaria suporte tão denso para negar um interesse. Importa sim. Importa tanto que convida o irreverente e lúcido Chico de Paula para auxiliá-lo em tal propósito. “Eu te blue”, assim azul para elucidar. Música densa, para platéia privilegiada. Wilmar Silva, poeta. Sobe ao palco e também desconstrói e declama. Alguém precisa saber de mim? “De mim e de você”. Em seu planejado e detalhado “caos”, Francesco Napoli, responde. Que saibam todos aqueles que merecerem e suportarem a lucidez que insiste em procurar morada em suas mentes.

Luis Curinga (BH) Guitarra privilegiada. Encerra a noite em grande estilo com um dos músicos mais competentes da cena musical. Sua banda que carrega seu nome, executa rock´n roll competentíssimo e clássico. Samuel Saulo (voz), Lucas Caldonceli (baixo), Norberto (bateria) dão corpo à música e toda a qualidade técnica e musical de Luis Curinga. Sobem ao palco e executam música forte e bem cuidada. Com bases fincadas no hard rock, canções em português e inglês são o que de melhor poderíamos ter para encerrar uma noite tão densa do festival. Mesmo tendo canções como “Goteira”, narrando as agruras de sob chuva ver sua casa molhar-se toda, alusão às situações passadas por muitas pessoas, mesmo assim, com a força das interpretações de sua banda e por isso, a dor parece menor. Pois haverá sol. Sempre há e “Child” prova isso. Não adianta a fuga. Ela não nos livra dos dramas ou problemas. A saída é enfrentar tudo e todos. Luis Curinga sabe isso. “Cold Guy”,”Querida” e uma sequência de canções de alta qualidade melódica e técnica. Sensações plenas de que a música é um dos mais potentes e eficazes antídotos contra todos os males. Rock´n roll, sempre!


Sábado dia 15 de outubro de 2011 no V BH Indie Music
Apresentações: Fuckin' Noise (Mariana-MG), Tapete Red (RJ), Orquestra Visceral (Niterói-RJ) e Optic Yellow Felt (SP) .
Local: Matriz

Fuckin' Noise (Mariana-MG) Atitude e doses altas de sujos acordes grunge. Assim Fabiano “Minininho” (voz/baixo), Ulisses (guitarra/voz) e Nervoso (bateria) deram início à última noite de shows do V BH Indie Music. Com muita vontade em mostrar e cantar suas nítidas influências do estilo que tomou conta do planeta nos anos 90. Ulisses sem poupar energia desferindo golpes certeiros para consumar a certeza dos versos cantados em sua canção que diz: “jovem demais para morrer...”. Como em um mantra rocker, se for possível ago nesse sentido, eles decretavam tal profecia. Doses de riffs e bases carregadas de vontade e fúria juvenis. Não, não se destrói mesmo o desejo que vai além da simples vontade. Três músicos que ao sustentarem em suas mãos os instrumentos que dão voz à vontade maior não se permitem duvidar nesse momento de sua intenção. Lisergia e mais densidade em guitarras. Baixos executados de forma complementar aos movimentos do corpo. Arpejos criativos para cantar em voz surda e embriagada toda a crença nesse instante. Uma bateria segura e assim como os dono das mãos que tangiam as baquetas, nervosa também. Nervosa para dizer “everiday, every night” sim, aqui estamos nós. Colisão de sons e energia ao colidirem seus instrumentos, mais que símbolo, a certeza de que a vida insiste em nos fazer bem. Ao permitir-nos apenas o mais elementar e simples, desfrutá-la.

Tapete Red (RJ) Daniel Goés (voz/guitarra) dá início ao seu refrão que não termina, pois não é preciso. Nesse momento o palco é a morada segura e ideal. Suas narrativas insistem em apontar os incômodos ao se instigar as mentes, em provocar o pensar. As relações humanas são assim, complexas. Ele canta o que nos é familiar. A bola sempre é passada para João Carlos (guitarra) com a certeza de que ele aproveitará a deixa. Timbre definido em equalização bem feita, entrega-se aos acordes, às possibilidades todas em criar sobre bases firmes. João Carlos e a Guitarra, formam um duo cúmplice. Ela executa o que ele deseja e ele entrega sua intenção maior a ela, produzir os acordes que nos envolve. A banda faz uma apresentação um pouco menor que a do seu primeiro show, mas faz um show tão vibrante e forte quanto o outro. Excelentes canções para dançar, melhores ainda para ouvir e guardar. Arthur Paiva (bateria) sempre preciso e Thiago Lima (baixo), forjam em suas bases os versos do refrão que não termina. E sabem que não devem jamais cessar esses refrões, pois são eles trilhas para a vida toda.

Orquestra Visceral (Niterói-RJ) Felizes sempre. É o que proclama Bruno Machado (voz), no mínimo a maior intenção sempre, viver bem. Mesmo sabendo estar diante de surpresas e imprevistos. As normas, as convenções e os dogmas, são destruídos em local apropriado. O palco dessa noite. A Orquestra Visceral não deixa a energia, apresentada em seu primeiro show oscilar. Fazem mais, despem-se de qualquer incomodo e dançam para cantar “Natal”. Celebram a vida para desafiar as pseudo normas ditadas para nossas vidas. “Vai buscar agora”, agora mesmo o que fará bem a você. Hainner Fon (baixo/voz), Asy Pepe (flauta/violino), Davi Hermsdorff (bateria) e Tiago Barros (guitarra), celebram a vida, a alegria em poder nesse momento serem porta-vozes da vida plena. Sempre competentes com seus instrumentos, apenas deixam fluir o que lhes é natural. E que venham mais canções fortes, versos fortes. Pois como cantam, a queda não lhes amedronta, sabem que o chão está sob seus pés. Alegoria do viver, o barco e seu destino, muito bem descrita por Bruno Machado é certeira. O ego domado, pois ser você é a única saída. Cantam felizes, rolam pelo palco. E encerram sua estréia em palcos belo-horizontinos de forma grata, após as cortinas serem fechadas cantam em coro o nome da pessoa que lhes proporcionou tamanha felicidade. Foi bom ouvir, é bom ter por perto pessoas tão honestas em suas intenções. Sabemos os nomes de todas.

Optic Yellow Felt (SP) Sempre será bom ouvir o que é feito com o coração e a mente dos bons. Música maior, música de excelente qualidade. Coube à OYF de São Paulo encerrar a noite de shows do festival e a escolha foi certeira. Mais que competentes os músicos da OYF souberam para essa última apresentação guardar energia e fazer sobrar criatividade. Impecável a execução de suas canções. Totalmente livres e à vontade em um palco onde acabavam de presenciar outra grande apresentação de também visitantes. A Optic Yellow Felt não poupou o direito que se deram, de apresentar-nos as já familiares canções “Don´t Bend”, “Shine” ou Coup of coffe” de forma ainda mais expressivas. A qualidade sonora entregue aos músicos proporcionou a percepção de detalhes preciosos. Peso em acordes cheios. Leveza em arpejos de piano e teclados. Sutilezas em guitarras e violões e base impecável. Victor Nader, inspirado e confiante mais que nunca abusou de sua técnica vocal para narrar seus textos. E o fez com a naturalidade daqueles que dominam seu ofício. Brindou-nos com fortes interpretações. Massa sonora envolvente, com as diferenciações que cada um muito bem sabe imprimir, assim nos despedimos, por ora, da OYF. Mas despedimos com a certeza de termos presenciado aqui nesse festival o nascimento de uma banda predestinada ao topo. Não por almejarem imerecidos patamares, mas simplesmente porque será mais que injusto privar um público maior de tão agradável e talentosa proposta. Encerram o V BH Indie Music com a plena certeza do dever cumprido, mas desde quando é dever entregar belas canções a ouvidos merecedores. É antes de tudo uma honra. E eles sabem disso. Esperamos a volta dizendo apenas. Muito obrigado e até breve!

escrito por Edison Elloy








segunda-feira, 10 de outubro de 2011

V BH Indie Music - Quinta Semana por Edison Elloy

Sexta-feira dia 07 de outubro de 2011 no V BH Indie Music
Apresentações: Consciência Suburbana, Os Decréptos, Dead Vines e Irônika.
Local: Matriz

Consciência Suburbana (BH) Cantar o que pede para ser cantado. Em perfeita sintonia os rapazes abrem essa noite do festival no Matriz. Punk, é assim muito bom porque é simples, direto e manda seus recados sem rodeios. Gilmar 77 (voz/guitarra), Dinho (baixo) e Kruger (bateria). Formam um trio básico impecável, em sincronia total, sabem executar as canções punks perfeitas. Diversão e consciência social e política são possíveis sim. Em uma apresentação onde primam pela precisão em seus arranjos e execução. Cantam uma ode à “Garota Punk” ideal: “Quem é essa garota punk?” e ela com certeza se identifica com a troupe punk do CS. Cantar suas letras é fácil e isso fez a platéia no Matriz. Refrões diretos, sobre bases firmes e bem executadas, são facilmente gravados, e a platéia cantou “1,2,3,4 punk rock 74...” e cantou tudo o que Gilmar 77 e seus fiéis escudeiros mandou para ouvidos e mentes. Noite iniciou com a qualidade e energia de autênticos emissários de boa música. (foto: Naty Rodrigues)
Os Decréptos (BH) A banda se apresentou de forma intensa e com muita energia, mais uma vez. Com suas canções ora alegres e divertidas, ora críticas comportamentais. Os Décreptos conseguem imprimir uma característica própria em seu punk rock usando duas guitarras, leia-se, Fábio e Gustavo Decréptos, esse último com solos e riffs nervosos para dar às canções da banda uma “cara” toda própria. Discorrer sobre boêmia possível e diversão. Identificar-nos com a cidade que reconhecemos em passagens de suas letras. Banda com algo bem peculiar, pois tem á frente dos vocais, Daniel Decrépto, um dos vocais em falsete “sujo” dos mais personais que temos ouvido. A platéia responde sempre bem e prontamente em “moshs” característicos quando Os Decréptos estão no palco. Se “o mundo está acabando...”, como cantam, que seja ao som de punk rock honesto. Rodrigo e Diego Decréptos, garantem base para a festa. 
(foto: Naty Rodrigues)



Dead Vines (BH) A banda sobe ao palco para também antes punker, mostrar-se mais rocker nesses últimos tempos, e o tem feito bem. Bugu Reis (voz/guitarra), Davidson B. (baixo/voz) e Luis Borges (bateria/voz). Cantam a sociedade em volta, aspectos todos são abordados e cantados na voz firme e característica de Bugu Reis. Descrevendo em narrativas bem colocadas, as mazelas políticas, sociais e humanas. Mas também e claro, a expectativa de outros ares. Porque como cantam em “Vida Humana”, podemos um dia nos redimir de nossos pecados. Mas a vida, essa não ficará nunca em segundo plano. Platéia cantando “Caos”, “Tormenta” e sabendo muito bem responder quando perguntam: quem somos? “We´re dead vines”. Uma banda que está segura em seu caminho melódico e por isso sabem para onde seguir. Não se pode dar vez ao medo, eles sabem. Surpresa, na voz de Davidson B, “Blues da Violência”. “Eu vejo um homem, um homem com medo...”. Forte e expressiva, mas o medo não visita palcos tão bem reverenciados, nunca. (foto: Naty Rodrigues)
Irônika (BH) Uma banda de bem com suas intenções e suas canções, mais que honestas e sinceras. Irônika, sabe com o vigor e a criatividade de suas guitarras, mostrar o que é uma banda que bebeu em boas fontes. Cenas e narrativas indentificáveis facilmente, pois estamos ali em seus textos. Coesa a banda canta a diversão sim, mas diversão com a responsabilidade dos que executam acordes em que acreditam e dominam. Canções de uma história bem escrita por Bruno Luiz (voz/guitarra) e seus parceiros de palco. Jr. Skiter (guitarra /voz), Pedro Vasseur  (baixo/vocais) e Mauro Novaes (bateria). Como fazer uma revolução? Comece por verdade e honestidade. O palco do Matriz recebeu doses bem aplicadas de vontade e determinação de uma banda que sabe muito bem o que é, pois como cantam, “...você pode ser...”. Irônika é punk rock e atitude e sabe escrever as boas histórias para serem contadas, fizeram isso essa noite. Em coro a platéia sabe agradecer, pois presentes assim merecem coro uníssono e aplausos esfuziantes. Incendiada e feliz, assim voltou para casa. Viva! (foto: Naty Rodrigues)
Sábado dia 08 de outubro de 2011 no V BH Indie Music

Apresentações: Himalaia (RJ) e Milhouse (RJ).
Local: Centro Cultural São Geraldo
Himalaia (RJ) Onde talvez poucos possam chegar, onde apenas aqueles que de verdade desejam encontrar. O que? Não importa, Himalaia deve ser esse lugar em uma alusão ao topo, assim como o que dentro de nós busca as alturas. Capitaneada por um certo Capitão Léo (voz), a banda tão competente que é,  apresenta-se com a qualidade e empenho que não poderia ser diferente quando se canta tão sério, mesmo o que dissimuladamente possa parecer um  cotidiano quase banal. Mas não é jamais, tudo o que envolve humanos. “Tem coisas que eu não sei”, imaginem se Daniel Marmota (guitarra/voz), Gringo (guitarra), Dom (Baixo) e Gustavo JJ (bateria) soubessem mais um pouco. Pois o que se viu e ouviu foi música em estado puro. Front Man naturalmente performático, voz que pede bons ouvidos, pois esses se deleitam, Capitão Léo, conduz a nau Himalaia ou nave, para o universo, e nos convida à aventura de viver. As expectativas de alguém que passa e quer e precisa ser percebido. Um retrato em “3x4”, composto para uma tentativa de traduzir a intenção do que se deseja ou seu próprio auto-retrato, pois outra pessoa também forja o seu. Platéia brindada com a sincera e honesta expressão de músicos empenhados em seu ofício. Em doses exatas, guitarras em riffs sutis e mais que harmoniosos, base segura e backings vocals em alternâncias vocálicas pontuais. Música de grande qualidade para privilegiados em uma tarde de sábado. Quem ouviu vive. (foto: Marcos Ganndu)
Milhouse (RJ) A platéia desavisada não esperava algo tão forte vinda daqueles rapazes aparentemente tão “normais”.  Antes e depois da força que não pede licença e não faz concessão para romper seus limites, se é que os possui. Milhouse, simplesmente aponta possibilidades sonoras mais que originais. Com pausa apenas para respirar, pois precisamos. Os músicos Diogo Caldas (baixo), Roberto Tomé (guitarra), Alexandre (voz/guitarra) e Thiago Mateu (bateria). Impõe-nos uma avalanche sonora e sensorial, únicas. Guitarras falam muito quando conduzidas por mentes que vão além dos conceitos padronizados. Milhouse, visceral em grau máximo, para cantar e traduzir estados alterados de nossa percepção.  Pois a abulia não nos acometerá o tempo todo, haveremos de tomar as decisões que nos guiarão. Para o nosso bem. Nascer para o nada, impossível. Ainda em gestação perceber-se um quase alienígena, não será para os lúcidos. Overdose de simulações sonoras para aguçar a mente, e esta levar aos sentidos, todos os possíveis. A chama da auto-percepção está acessa. Convidados que fomos a buscar respostas. O caos em forma de música, a abertura mental através de experimentações sonoras. Alexandre canta: “eu tenho medo...”. Impossível ter medo de algo quando em si está a maior e melhor aventura, a vida. A platéia agora pode dizer em voz única e no mínimo um pouco mais aliviada, você que ainda dorme.  Acorde! (foto: Marcos Ganndu)

por Edison Elloy
fotos Naty Rodrigues e Marcos Ganndu

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terça-feira, 27 de setembro de 2011

V BH Indie Music - Terceira Semana por Edison Elloy


Sábado dia 24 de setembro de 2011 no V BH Indie Music
Apresentações: Monster Groove
 (Nova Lima-MG), Groove a Toa (Ribeirão das Neves-MG), Plame (Diadema-SP) e Favela Groove (Santa Luzia-MG).
Local: Centro Cultural Nem Secos

Monster Groove (Nova Lima-MG)  O corpo precisa se mover, pois está vivo. Abre a noite com muita energia e alto astral, música dançante, muito bem arranjada e produzida. Um malabarista tem habilidade e jogo de cintura, Monster Groove, tendo à frente Eduardo Araújo (voz/guitarra) e Bernardo Ribeiro (baixo/vocais) e apoiados por músicos competentes, sabem  que não se pára um show. Excelentes backing vocals, bem ajustados e mais que harmoniosos. Por isso rítmo intenso, por isso samples e sintetizadores, por isso guitarras e bases ágeis. Do sótão saíram os monstros e prontos para sem grandes dramas, viverem o que a vida lhes proporcionar.  A noite e o dia estão aí, diversão e também algumas decepções. Mas a vida está aqui dentro de nós.  Então vamos carregá-la da forma mais leve possível e de preferência com muito, muito ritmo.
Groove a Toa (Ribeirão das Neves-MG) “Rima doce em tempos amargos”. Expressar com verdade explícita e transbordando sinceridade os versos que traduzem sua visão do mundo em volta. Simples, forte e tão bem narradas que o alvo é certeiro. “Macacos me morda”, é proposital sim. Macacos nesse caso uma alusão ao sistema que oprime e impõe suas regras nada democráticas ou justas. Como a dizer: eles mordem VOCE, e você o que fará para safar-se? Monge Mascavo  (voz) The Lan Matarazzo (voz), Chirlei Mascavo (bateria/voz), Somah (baixo),  DJ Duloo Siciliano (pick-up) e Wingles Max (guitarra). Com a certeza daqueles que cantam o que sentem, pois bases seguras os resguardam, apontam as origens todas perceptíveis e possíveis. A pressa dos dias que vivemos em “Era velocista”. O amor artificial, sexo semi-virtual em brincadeiras naturais, por serem humanas. Crônicas cotidianas, pois “ser feliz do seu jeito”, só isso é importante. Groove a Toa sabe.
Plame (Diadema-SP) “A essência... de nós mesmos não será fugaz e o medo não terá valor”. O palco apenas não suporta toda a força e vontade arrebatadoras desse quinteto de hardcore legítimo. Punk, hardcore furioso para cantar toda a crença em transformações pessoais e sociais possíveis. Michel (Voz), Alan (guitarra), Du (bateria), Felipe Bonão (Guitarra) e Júnior (baixo) fizeram uma apresentação totalmente expressiva. Cosmopolitas que são, sabem muito bem onde pisam e como pisam para narrar as agruras de vivermos em cidades infelizmente cada vez mais estranhamente inóspitas, deveria ser o contrário, pois humanos é o  que somos, não?  Michel, canta com força e grita contra injustiças e atitudes comodistas que adotamos constantemente, grita com força explosiva, sob a qualidade técnica inquestionável de seus companheiros de Plame. As ruas de qualquer grande cidade desse país, exploração infantil em sinais, ou faróis como diz Michel, em seu sotaque paulista indefectível e bom de ouvir, pois mostra o quão diverso é o Brasil. Plame canta forte e com toda a sinceridade. A vida em nós quer mais, a vida em nós quer ser útil e valer sempre.  Show inesquecível.
Favela Groove (Santa Luzia-MG) Não se deve instigar desavisadamente aqueles que tem o que dizer, pois o verbo vem afiado e preciso. Léo Inseto e D.B sabem como fazê-lo. Diego Bobby (guitarra), Braw (guitarra) base, Daniel (baixo), Rafael: Bateria, Reinaldo (pick-up). Juntos levam aos ouvidos o verbo necessário para despertar mentes adormecidas, e como precisamos disso! A voz dos que não a possuem para narrar seu cotidiano. O respeito aos iguais em todas as periferias do país. “Levanta a mão”, e você vai saber de que lado está a força. “Guerreiro é guerreiro” , nunca foge da luta, jamais se acovarda e não abandona os companheiros de batalha, pois sabe que a guerra é muito maior. Iguais, todas as matizes, “Alma colorida”, e a impossibilidade de dividir-se o indivisível. Sempre humanos. Hip hop, bases seguras e misturas, regae, samba, rap, tudo e mais o que for possível criar sem medo, pois “a luz que determina o quanto escuro é o lugar”. Grande banda, para mentes que pensam, grandes intenções para combater o que deve e precisa ser combatido. Alguma chuva e platéia encerrando a noite ao som e a certeza de ouvir música sincera e honesta.

Domingo dia 25 de setembro de 2011 no V BH Indie Music
Apresentações: 
Dead Vines (Belo Horizonte-MG), Dmor (Belo Horizonte-MG) e Irônika (Belo Horizonte-MG).
Local: Centro Cultural Nem Secos

Dead Vines (Belo Horizonte-MG) Um trio de punk rock? Não. Uma banda que busca no rock´n roll o caminho para expressar-se.  Bugú Reis (voz/guitarra), Luis Borges (bateria) e Davidson (baixo/vocal). Canções, algumas com as bases básicas de punk, sim. Textos que abordam o mundo à nossa volta, as relações interpessoais, todas. A percepção política de nossas atitudes cotidianas e a política mesmo. Os “reis” oportunistas em seus castelos reais e megalômanos. Qual e quem será o próximo? Crítica aos exploradores. Em uma apresentação firme e buscando levar à platéia seus textos que merecem ser percebidos, gritam o “Caos”, mostram o caótico estilo sócio-político-existencial que construímos. As relações humanas e suas complexidades. “A vida humana”, ela não nos deixa mesmo escolhas, viver e viver o mais intensamente possível, narrar essa condição e escolha compulsórias é o que faz, para o nosso bem a Dead Vines. Viva!
Dmor (Belo Horizonte-MG) Estranho, pois o exercício de legislar em causa própria não me cai bem. Escrever sobre a banda na qual canto, componho e escrevo é estranho.  Sempre idealizei  assistir a uma apresentação da minha banda, não através de vídeo, mas sim estando na platéia, impossível sei. E eis que me vejo agora escrevendo sobre uma apresentação tendo a visão do palco. É bom perceber que a platéia de antemão é sempre receptiva e acolhedora, e tenham a certeza de que os versos que canto são sinceros. Falam sobre todos nós, falam sobre tudo que um atento observador que deseja narrar a aventura de viver e existir o faz. Nada diferente de todas as bandas e artistas que estou ouvindo e vendo no V BH Indie Music. Uma Banda de rock, é o que pretendo ter. Nesses últimos tempos, instável em sua formação, tive para acompanhar-me Esdras Oliveira (guitarra), competente. E Daniel Pertence (bateria), mais que um músico, um amigo, Daniel é baterista oficial das Bandas Simples e da Junkbox, para ele não existe tempo ruim e é um apaixonado pela música e por suas amizades. Agradeço a ele publicamente agora, por mais esse auxílio. Sinto que agradamos a platéia, sinto que o que foi pretendido por Malu Aires ao conceber o projeto BH Indie Music, tem mais que razão para ser.  E apenas agradeço, com toda a sinceridade possível. Obrigado a todos os presentes.
Irônika (Belo Horizonte-MG) Bom ver e ouvir, verdadeiramente punk nas atitudes,  mas mais que rock´n roll na sonoridade e caminhos atuais, a Irônika tem a honestidade  musical de amantes do simples e autêntico. Divertir-se, mas divertir sua platéia é a máxima da banda.  Bruno Luiz (voz/guitarra), Jr. Skiter (guitarra/vocais), Pedro Vasseur (baixo/vocais), Mauro Novaes  (bateria). Executam com uma vontade e intensidade vibrante suas canções. Narrativas burlescas sobre garotas e bebidas, aparentemente despretensiosas. Cantar, tudo que pessoas que estão mesmo ao cantar em aparente estado de diversão, percebam. Cantar o cotidiano e isso inspirados em todos os sons de boa qualidade que os influenciam. Mas, cantar também as intenções espúrias de autoridades e supostos salvadores de plantão, que sejam ou políticos mal-intencionados ou capitalistas desonestos. Uma platéia fiel, seguidores e consumidores vorazes da mais que apresentada e Irônika,  cantaram, dançaram em ”mosh” e felizes e ungidos pelo rock´n'roll e as energias que vinham do palco, e sem chuva. Voltaram para suas casas e de novo,  poder dizer: Sim, foi muito bom ver e ouvir música sincera. Sim, a vida como os acordes do  rock´n'roll pulsa intensa em nós.


por Edison Elloy
fotos Naty Rodrigues

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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

V BH Indie Music - Segunda Semana por Edison Elloy


Sábado dia 17 de setembro de 2011 no V BH Indie Music
Apresentações: Simples (BH), Mezbeth (Vespasiano MG), Fred Inglez (Rio de Janeiro) e Cuatro (BH).
Local: Centro Cultural Nem Secos
Simples (Belo Horizonte) Existe uma sincronia quase siamesa entre os três instrumentistas da banda. Diogo Pertence (voz/guitarra), Daniel Pertence (bateria) e Lucas Caldoncelli (baixo). Cantar as relações, o cotidiano e as buscas , as impressões do mundo à sua volta, com tanta precisão e harmonia é para aqueles que comungam no mínimo a intenção maior. No caso fazer a música soar tão natural como os gestos físicos e as pulsações cardíacas. Em uma apresentação forte e perfeita em timbres e execução, o pop mais que perfeito da banda invadiu as mentes de uma platéia privilegiada. “O amor é pra quem não quer se enganar”. Música simplesmente impecável é para quem nunca se engana.
Mezbeth (Vespasiano-MG) Uma avalanche sonora toma conta do espaço, influenciados pelo que de melhor pode haver na cena de rock pesado, tenham certeza. Léo (voz/guitarra), Rafael (guitarra), Dw (baixo) e Raphael (bateria), formam o time. Metal, grunge, flertes com o trash metal, tudo isso e um pouco mais. Muita atitude para cantar o quanto podemos equivocadamente fazer as piores escolhas. Pancadas implacáveis de uma realidade que pode mesmo nos levar aos piores mundos dentro e fora de nós. Ironia, quando uma canção chamada “Sweet emotions”, na verdade descreve o quanto o pseudo-amor pode nos deprimir. “Core” canção que abre o show apresenta-nos quase o anti-núcleo primordial necessário para alguma saída dos estados incômodos em que nos colocamos. Arranjos, solos, baquetas e bumbos nervosos. Gritar, mas gritar mesmo e bem alto, não queremos a “inertia” que insiste em apossar-se de nós. Mas cuidado, ela está a espreitar-nos. A catarse sensorial é imposta, sim, pois depois da força sonora da banda é impossível não percebermos que a vida e sua complexidade insiste em habitar-nos. 
Fred Inglez (Rio de Janeiro) “A vida que continua”. Sons sintetizados, associados à guitarra densa do cantor carioca apontam o caminho, acompanhado por Arthur De Pala (baixo) e Fausto Batista (bateria), excelentes músicos, criativos e precisos. Caminho mais que possível, sons mais que essenciais para cantar em uma sonoridade que não precisa de rótulo, mas se for pop, será o que toda grande música pop precisa ser e ter. Conteúdo, excelentes canções, arranjos e atitude. Com bases sintetizadas pré-gravadas e a qualidade de seus músicos de apoio, Fred Inglez canta e muito sutilmente sua voz manda os recados. Sejam eles quase desencantos com o amor, mas, ele sabe que amor não desencanta. Por isso bases definitivas, talvez para dizer: É apenas uma recaída. A busca de um complemento afetivo, tão incerto quanto é o viver. “Tudo Programado”, mas a nós compete a reprogramação almejada. Pois, ao olharmos de verdade para o espelho diante de nós, veremos o único ser capaz de transformar sua realidade positivamente quando assim o desejar. Ouvidos invadidos por música limpa, nas intenções, sincera na essência e maravilhosamente agradável aos sentidos.

Cuatro (Belo Horizonte) Rock´n roll sem artifícios e outros subterfúgios. Vamos cantar a diversão, possível e agradável. Vamos cantar os encontros e desencontros no amor. Desejados e alcançados. Mas vamos antes de tudo festejar. A Cuatro, com sua sonoridade do rock básico e autêntico, mostra o quanto pode ser simples fazer canções boas aos ouvidos e ótimas para mover o corpo e espantar qualquer possível tédio. Douglas Tolentino (voz e guitarra), Humberto Sousa (guitarra e arranjos), Richardson Clarck (baixo) e Arukia Costa (bateria), celebram a amizade e a possibilidade de deixarmos mais leve a tarefa cotidiana de habitarmos o mundo de humanos. Uma sonoridade em que os caprichos de um solo ou a força e a criatividade delicadamente feminina de Arukia Costa nas baquetas entregam-nos a leveza de volta. Fecham a noite com chave de ouro, colocam de volta em seus ritmos normais nossos corações e convida-nos a continuar, pois a vida é o que mais importa.
Domingo dia 18 de setembro de 2011 no V BH Indie Music
Apresentações: Chapeleiro Maluco (BH), 9'S Fora Rock (BH) e Hotel Catete (BH).
Local: Centro Cultural Nem Secos


Chapeleiro Maluco (Belo Horizonte) O menos pode muitas vezes tornar-se mais. A banda Chapeleiro Maluco, formada por Abner Oliveira (voz/harmônica), Paulo Almeida (voz/guitarra), Fábio Santos (baixo) e Fernando Resende (bateria), mostrou-nos em uma apresentação segura, como fazer música de boa qualidade contando com uma formação básica, complementada pelos vocais e a gaita em um dueto harmônico, simples e oportuno de Abner Oliveira. Mais, pois as melodias da banda estavam lá diante de nós, as nuances de suas frases em arranjos, bem claros e perceptíveis. Novidade nas baquetas conduzidas por Fernando Resende, foi sua grande expressividade. Cantam os desencontros amorosos, cantam o almejado ponto em que estamos tranquilos e bem, pois estamos com nosso íntimo em harmonia. Paulo Almeida, vocalista e exímio guitarrista, brindou-nos com solos agudos e vibrantes, para ele cordas arrebentadas não são empecilhos.Técnica fina e sonoridade forte e expressiva da guitarra conduzida por ele mostraram como voltar para o simples pode ser recompensador.
9'S Fora Rock (Belo Horizonte) Diversão e festas. Relacionamentos, mas também a percepção de que estamos assim como na canção "Dancem macacos, dancem", regredindo, ou na melhor das hipóteses nos igualando aos nossos irmãos primatas. Pois estão eles nos superando ao mostrar-nos que eles, os supostos não-evoluídos, estão alguns passos à nossa frente, quando se trata de buscar algum equilíbrio e bom senso nas relações e na forma como cuidamos do meio à nossa volta. Crítica mordaz, o "Olho do mal" aponta com precisão crítica nossa redenção aos meios de comunicação em massa a nos impor padrões de comportamento que muitas vezes apenas remetem-nos às cavernas de nossos primos citados em "Dancem macacos, dancem". Bons esses textos da banda, certeiros em suas intenções. Rock´n roll básico. Mandando, entre a aparente despretensão das canções alegre e divertidas, o recado ao sistema. Se é que ele, o sistema, ouvirá alguém algum dia.
Hotel Catete (Belo Horizonte) A cidade em sua boêmia é cantada e descrita nas canções da banda. Reconhecemos o lugar que habitamos, em textos de canções muito bem arranjadas. Bruno César (voz/guitarra), Rafael Lopes (teclados/acordeom), João Gabriel (voz/guitarra), Milton Felipe (bateria) e Rodrigo Nunes (baixo) com comicidade e habilidade técnica-musical, passeiam por locais familiares da grande maioria dos habitantes de Belo Horizonte. Bebidas e sexo, música e diversão, estas também facetas do viver, uma pausa que nos coloca um pouco distantes e protegidos do todo. Pois "Meu bem", descreve com precisão onde tudo pode chegar quando apenas deixamos por conta do acaso ou destino transportar o que deveria estar sob nosso controle o tempo todo, nossas vidas. Agradável e prazeroso, ouvir em uma estréia, uma banda com a qualidade desta. Viva a boa música, sempre!


por Edison Elloy
fotos Naty Rodrigues

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quinta-feira, 15 de setembro de 2011

V BH Indie Music - Primeira Semana por Edison Elloy

Sábado dia 10 de setembro de 2011 no V BH Indie Music
Apresentações: Ek-Vertep (Suzano-SP), Los Ciegos (Ribeirão Pretos-SP), Os Selvagens (Ouro Preto-MG) e Os Decréptos (BH-MG)
Local: Centro Cultural Nem Secos

Noite de estréia dos paulistas da Ek-Vertep, nova banda da baterista (ex-Maquiladora), Déia Carvalho (vocalista e violonista), Johnny Medina (baixista) e Zé Ronconi (baterista, percussionista e vocalista). Um trio em total sintonia com a música e outras possibilidades sensoriais de expressão. Usam a pintura, em performance de Johnny Medina, usam projeções visuais, não apenas para ilustrar suas canções mas antes para instigar as mentes que buscam desafios. Três excelentes músicos, executam canções que não precisam ser classificadas, podem se auto-denominar uma banda de rock, mas estão lá elementos de folk, jazz. Está a canção na voz segura de Déia Carvalho, conduzindo a partir de seu violão, também turbinado com distorções e efeitos em melodias que envolvem e instigam. 

Los Ciegos, cantam o que sempre com sinceridade nasce da intenção de amigos ao decidirem formar uma banda. Cantam música honesta. A força da amizade faz com que  Eduardo Vidal (guitarra/voz) Rodrigo Henrique (guitarra/voz), Gabriel Pugliani (bateria), João Pitombeira (baixo), viagem por sete horas, apresentem-se e retornem para casa com a certeza do dever cumprido. Guitarras e texto fortes. Arranjos que remetem ou simulam um rock básico, engano. Canções muito bem arranjadas. "Vamos brincar de rir de inimigos". Los Ciegos simulam em canções, para forjar em seus textos nosso cotidiano almejado, tudo está lá nas entrelinhas de cada canção. Riffs e arpejos que marcam tem sempre lugar de destaque e eles sabem elaborar passagens que um cego não pode ver,  mas ouvidos atentos percebem. Apresentação sincera e correta, voltaram cansados para casa, mas voltaram felizes.

Estruturas sociais decadentes, instituições obsoletas em seu modo de pensar e agir. Fim de utopias, políticas neo-liberais derrotadas pelas evidências de seus equívocos e falhas. O punk rock da banda Ouropretana Os Selvagens, bate em todos os que alimentam ou sustentam estas estruturas tortas. Apresentação visceral, grita-se pelo que se acredita e também contra tudo o que perturba e incomoda. Refrões que dizem o que precisa ser absorvido por aqueles que ainda estão dormindo. Mas, não há como ficar parado ao som de punk rock de verdade. Ulysses - (vocal), Fabiano (guitarra), André Estanislau (baixo e voz), Douglas Dexter (bateria). Executaram canções e exorcizaram demônios, principalmente de seguidores fiéis, que vieram da histórica Ouro Preto acompanhando a banda. Forte e visceral, marcaram sua presença no festival.
Os Decréptos, outra banda representante do punk rock, já pela segunda vez participando do BH Indie Music, são escolados. Rodrigo Decrépto (bateria) lidera a banda que canta principalmente sua intenção maior que é sobreviver. Sobreviver a tudo e a todos. Daniel (voz), Gustavo (guitarra), Fábio (guitarra) e Diego (baixo) compõem o time que cantam o cotidiano, a boêmia e o terror trash. Mas está lá também a fala social, tenha certeza. Fuga? Não, apenas pausa para retomar fôlego e continuar a marcha. A banda se apresentou desfalcada de seu vocalista, mas com ex-membros e fãs atentos, levou à platéia o que ela esperava, punk rock e diversão.

Domingo, dia 11 de setembro de 2011 no V BH Indie Music
Apresentações: Junkbox (BH) e Ek-Vertep (Suzano-SP)
Local: Centro Cultural Nem Secos

Abre a noite de domingo com a clareza cristalina de mezzo-soprano, Malu Aires, a voz, guitarra e mente diante da Junkbox entoa e evoca em suas mensagens lançadas ao mar o canto dos lúcidos. Sonorizações difusas e propositalmente sujas, confusas, simulação de uma babel contemporânea. Rafael Dinamarque (baixo), preciso. Como a dizer: Malu, faça o que desejar com sua voz e sons de sua guitarra. Estou aqui. Daniel Pertence (bateria), analógica e eletrônica. Desenhando em sonoridades personais, os fantasmas, as tensões e a busca de ar após a nervosa e avassaladora força expressiva de sons e vozes. A cantar o profundo e insondável em cada um, ao provocar uma indesejada pausa na respiração para avaliar. Esta é a vida possível? Uma apresentação precisa e contundente, em dinâmicas que alternam a suavidade de lamentos e certezas com a fúria e força de decisões e repúdio ao mal, à hipocrisia e à falsidade. Tudo lá, diante dos que não dormem mais tão desprotegidos assim, ou pelo menos desavisados após a canção de ninar possível. Afinal não são dias serenos e calmos que vivemos, ao contrário são repletos de expectativas incomodas e incertas. Noite de domingo especial, arte em sons, imagens e intensas doses de realidade.

Ek-Vertep, apresentação com a mesma força expressiva da noite anterior, porém depois da estréia, muito mais tranquila para os músicos da banda, descontraída, Déia Carvalho, esquece seu capotrasto, faz seus companheiros de banda improvisarem e sorri. As falas de Johnny Medina (baixo) durante sua performance com tintas e pincéis ao ilustrar seu segundo painel em BH, talvez um Franknstein, buscando como todos e sempre a aceitação e libertação dos limites físicos e pré estabelecidos. Johnny Medina, pedia aplausos e a platéia retribuía agradecida pela noite cheia de arte e sensações outras. Sim, vale sempre sim, sair e viver. Viver e ouvir canções, vozes e sons que apenas a mente de cada um concebe diante das expressões vindas de um palco, ou ali como fez Ek-Vertep, com projetor e papéis em branco e prontos para a forma que a eles fosse determinada. Salve os que podem adentrar à caverna depois das visões e percepções adquiridas. Salve a música e os que dela se alimentam.

por Edison Elloy
fotos Marcos Ganndu


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